Programa Educação para o Patrimônio 2016

publicação cultural

 

O povoado de Santana de Cataguases veio a ser constituído em 27 de novembro de 1863, quando duas proprietárias de terras foram juntas ao cartório para fazer a doação. Ana Leonor Armelinda da Silva doou 7 alqueires de terras do lado direito do Ribeirão da Fumaça que corta a cidade para construção da Capela Senhora Santa Ana e Francisca Chaves de Jesus doou 6 alqueires de terras do lado esquerdo do Ribeirão da Fumaça para a construção da Capela de São Francisco das Chagas, conforme escritura transladada, no cartório de Boa Família.

A Igreja Católica foi responsável pela criação do povoado de Santana de Cataguases, em razão da devoção de duas proprietárias de terras que desejavam que o sacramento ficasse mais próximo aos moradores da comunidade rural, pertencente ao distrito de Cataguases, que na época chamava Santa Rita da Meia Pataca e pertencia à cidade de Leopoldina, conforme mostra os documentos das Escrituras de doação para a Igreja Católica.

 

01 02 03 04

 

 

A Igreja Católica foi responsável pela criação do povoado de Santana de Cataguases, em razão da devoção de duas proprietárias de terras que desejavam que o sacramento ficasse mais próximo aos moradores da comunidade rural, denominada Ribeirão do Kágado, pertencente ao distrito de Cataguases, que na época chamava Santa Rita da Meia Pataca e pertencia à cidade de Leopoldina, conforme comprovamos com  os documentos das Escrituras de doação para a Igreja Católica.

 

1 a

Vídeo da origem do povoado de Santana de Cataguases mostra  a primeira Capela de Senhora Santa Anna construída na localidade.

 

Assim o local da Capela de Senhora Santana foi escolhido, no alto da colina, de onde se avistava toda a localidade, de frente para um espaço destinado a uma praça, de maneira que as construções fossem implantadas em ruas laterais e aos fundos de seu entorno. Outro pedido de Anna Leonor foi que no local fosse demarcado com uma cruz, conforme temos a foto acima da primeira construção da Capela de Senhora Santana.

 

No outro lado do Ribeirão da Fumaça, ficou denominado Bairro São Francisco e no ponto mais alto do bairro foi construída em madeira a Capela de São Francisco. Não temos datas precisas das construções das Capelas.  Em edições antigas do jornal Cataguases registra-se a inauguração da Capela de São Francisco em 1926. O livro de Tombos da Igreja Matriz Senhora Santana foi aberto em 1928 pelo Padre Raul Coutinho onde registra todos os pertences da Capela de São Francisco e da Matriz Senhora Santana, nesta data.

 

O ponto mais alto do bairro São Francisco é uma área descampada até os dias atuais, e houve uma chuva com vendaval que derrubou a Capela. Após a tempestade  que destruiu muitas casas no bairro,  o responsável que cuidava da Capela, Sr. Agnelo, chegou ao local e deparou com a demolição  da edificação com  as tábuas todas desmontadas no chão e ficou surpreso ao ver a imagem de São Francisco de gesso no meio das madeiras em perfeito estado, então a recolheu e agradeceu o milagre, nem tudo esta perdido, levou a imagem para a Matriz de Senhora Santana até que fosse construída a nova Capela, e a imagem  de São Francisco retomar o seu lugar de padroeiro da Capela.  A comunidade escolheu um local privilegiado,  mas em ponto mais baixo do bairro e com picaretas os fiéis foram abrindo o espaço para construir a nova Capela que foi inaugurada em 1950.

 

A Igreja Católica teve papel fundamental desde o início da civilização até os dias atuais na formação da sociedade.  Em Santana de Cataguases também atuou desde 1880 com Livros de controle de registro de nascimentos, batizados, casamentos e falecimentos, até o momento em que o controle de nascimento e falecimento foi absorvido pelo Cartório.

 

Outro fator importante na formação da comunidade santanense foram os imigrantes italianos que trouxeram os costumes e tradição da religião católica do povo italiano para nossa comunidade.

 

O jornal O Cataguases noticiava os acontecimentos religiosos de Santana como a nomeação do primeiro vigário da localidade, em 01.04.1928, Padre Raul Coutinho, pois desde a fundação a localidade foi atendida por vigários das cidades próximas.

 

Em 25 de maio de 1941 encontramos outra matéria de  Santana “ Santana é elevada à categoria de Paróquia”. A solenidade teve a participação do Vigário Geral da Diocese de Mariana, do padre Solindo de Cataguases, do Juiz de Direito de Cataguases , do Promotor de Justiça de Cataguases, do representante do Prefeito de Cataguases, representantes de outras localidades e de toda a comunidade santanense.

 

Em Santana os padres se destacaram como pessoas cultas, que participavam ativamente como autoridade da localidade, influenciando as escolas, o comércio e toda comunidade. Oferecia ensino de catecismo onde educava as crianças nos princípios dos mandamentos da igreja católica, com participação dos padres e da professora do Grupo Escolar Severino Rezende, Dona Odete Godinho.

 

As festas religiosas conduziam a população à fé cristã, como coroações do mês de maio, que as crianças coroavam Nossa Senhora utilizando a coroa dourada com cortejo de Banda de Música, fogos de artifícios e leilões e o mesmo acontecia com as coroações do Sagrado Coração de Jesus.  A festa de São Sebastião sempre foi muito movimentada com celebração do santo, finalizando com  leilão de gado. Mas a festa da padroeira Senhora Santana sempre foi o grande destaque das festividades contanto com a tradição e devoção dos santanenses.

1 b

Foto da inauguração do Adro da Matriz Senhora Santana em 1936, ao lado Padre Salvador Centrângulo,   responsável pela construção do adro, atualmente o adro da Matriz é tombado como patrimônio histórico.                      Acervo  família de  Odete  Godinho.

1 c

Altares da Matriz Senhora Santana em 1937. Demolido em 1964. Acervo família de D. Odete Godinho.

 

A era do modernismo implantada em Cataguases onde  demoliu a antiga Matriz de Santa Rita e a Igreja Nossa Senhora do Rosário contribuiu para a demolição da antiga Matriz Senhora Santana em 1964, onde o padre Antonio Xavier contratou o arquiteto modernista Francisco Bolonha, responsável por várias obras em Cataguases,  para projetar a nova edificação da Matriz Senhora Santana, em 1964.

 

1 d

Vista da Praça Agostinho Alves de Araújo, em 1963, em destaque a Matriz Senhora Santana e à esquerda a edificação da família de Agostinho Alves de Araújo, patrono da praça, seguindo a casa paroquial e à direita o antigo casarão que  foi no passado  uma edificação de dois pavimentos.  Acervo família de Odete Godinho.

1 e

Esta sobrado  em frente a Matriz Senhora Santana era residência na parte superior  e comércio no andar térreo, decorridos muitos anos da construção, a madeira apodreceu e oferecia risco de desabamento. Houve uma                  intervenção transformando a edificação em um pavimento, com uma  loja comercial, e o restante                                        em  residências. Acervo família de Manoel Lopes da Rocha, um dos proprietários do imóvel.

 

Após a demolição da Matriz Senhora Santana, ocorreu a demolição da casa paraquial e da antiga residência do Agostinho Alves Araújo, patrono da Praça, e muitas outras edificações da localidade.  A fase  modernista de Cataguases  influenciou os distritos e cidades circunvizinhas a acreditarem que deveriam acompanhar a evolução dos tempos e trocar o antigo pelo novo, um princípio que contribuiu para a demolição de muitas edificações antigas das localidades.

 

A nova Matriz Senhora Santana foi presente em  muitos acontecimentos da comunidade santanense sendo cenário para missa de  inauguração da Escola Estadual Severino Rezende,  celebrações cívicas, formatura do Ginásio Comercial Senhora Santana , formatura do curso de alfabetização Mobral, com celebração de missa e logo após a cerimônia de entrega de diplomas e muitos outros acontecimentos.

 

1 f

Adro da Matriz Senhora Santana, missa festiva de inauguração do novo prédio da Escola Estadual Severino Rezende, em 1970.( Da direita para esquerda) Vice Governador de Minas Pio Canedo,  ex-Prefeito João Remígio de Resende,  Secretário de Estado de Educação de Minas,  Prefeito João de Deus,   professora Eunice,   Deputado Estadual                        Ronaldo Canedo e Sra., Deputado Federal Ozanan Coelho. Acervo família de João Remígio de Resende.

1 g

O Adro da Matriz Senhora Santana foi palco para as autoridades acompanharem o desfile dos alunos da Escola Estadual na Praça Agostinho Alves de Araújo. Acervo Família de João Remígio de Resende.

 

1 h

 

Alunos da Escola Estadual Severino Rezende, após a missa na Matriz Senhora Santana, desfilam  para as festividades de inauguração do  novo prédio da mencionada Escola. Acervo família João Remígio de Resende.

1 j

Altar da Matriz em formatura do Ginásio Comercial Senhora Santana, Prefeito Antonio Augusto de Resende usando da palavra como paraninfo da turma, diretor do Ginásio Sr. Jaime Teixeira Marinho, Vereador Edson Alves de Resende, Prof. Maria Jucélia Mariquito,  Prof. Maria das Graças Reis, Prof. Ieda e Diretora da Escola Estadual                            Severino Rezende  Ely Alves de Resende . Acervo família Antônio Augusto de Resende

2a

 

Altar da Matriz Senhora Santana em cerimônia festiva de conclusão do ginásio  Ginásio Comercial Senhora Santana, da direita para esquerda, empresário José Augusto de Resende, paraninfo da Turma Dr. Manoel das Neves Peixoto,  Diretor do Ginásio  Sr. Jaime Teixeira Marinho, aluna discursando, prof. Lígia, secretária do Ginásio e                        imagem  da padroeira Senhora Santana aos fundos.  Acervo família Antônio Augusto de Resende.

 

2b

 

Altar da Matriz Senhora Satana em outra cerimônia de formatura do Ginásio Senhora Santana com a  Diretora da Escola Estadual Severino Rezende, Ely Alves de Resende discursando, paraninfa da turma, seguindo prof. Jucélia Mariquito, prof. Fritz, Vice Prefeito Udimar Silva, Prof. Waldemar Resende, ex-Prefeito Antonio Augusto de Resende, Vereadores Edes Francelino e Edson Alves. Acervo Família Antônio Augusto de Resende

 

2c

Altar da Matriz Senhora Santana em cerimônia de formatura do curso de Alfabetização do Mobral, com a supervisora regional do Mobral Laura Rossi, paraninfa da turma  discursando, da esquerda para direita  Eng.José Geraldo Remígio de Resende, Ana Luíza Resende coordenadora municipal do Mobral, Prof. Norma Costa, Prefeito Antonio Augusto de Resende, Prof. Conceição Chaves Campos e Diretora da Escola Estadual Severino Rezende Ely Alves de Araújo.  Acervo Família João Remígio de Resende.

 

 

2d

 

Missa de celebração cívica na Matriz Senhora Santana  rezada pelo padre Antonio Xavier,  com  participação                       dos alunos e professores  das Escolas  Severino Rezende, Dr. João Batista de Resende e autoridades .                                                         Acervo família Antonio Augusto de Resende.

 

2e

Presença do Prefeito Antônio Augusto de Resende  (da esquerda para direita) Tenente da Polícia  Militar e              Capitão Rodrigues do Comando Militar de Cataguases, Sr. Antônio Baesso e Sr. José Alves Garcia                      representantes da comunidade santanense.    Acervo família Antônio Augusto de Resende.

 

 

 

 

 

Conclusão:  

A Igreja Católica teve papel fundamental na origem da localidade com a doação dos terrenos para construção das Capelas Santa Anna e São Francisco das Chagas, influenciando os hábitos, os costumes, a moral e a identidade dos santanenses, contribuindo  de maneira decisiva na organização da sociedade.

                                              

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *